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Senhor Benedito Geraldo Domiciano é paroquiano na Paróquia São João Batista em Mogi das Cruzes, São Paulo.

Padre Dimas de Paula conta que após a missa mensal dos doentes, em que distribuiu o informativo sobre o Servo de Deus Franz de Castro, este Senhor lhe procurou e disse: “este homem era santo eu o conheci em Jacareí quando era sacristão”. Vamos acompanhar seu depoimento.

Do alto dos seus 94 anos com uma lucidez admirável, seus cabelos brancos, sua fala rouca e suas mãos ligeiramente trêmulas, o senhor Benedito Geraldo Domiciano busca na memória os momentos em que esteve na companhia do Servo de Deus Franz de Castro Holzwarth, enquanto atuou como sacristão na Igreja Nossa Senhora da Santíssima Trindade, em Jacareí.

Durante esse tempo, que durou entre os anos de 1979 a 1981, ele compartilhou da presença diária de Franz, que ia para a igreja, religiosamente todos os dias durante a manhã, fazer suas orações antes dar início a mais um dia de trabalho.

O então sacristão ainda se recorda do dia em que falou com Franz, que apesar de ter sido uma única vez, fez com que sua admiração por aquele homem que se dedicava todos os dias em adorar o Santíssimo e em cuidar da recuperação dos encarcerados, através do trabalho voluntário realizado pela Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), da qual fazia parte, crescesse a cada nova manhã.

Certo dia, Franz seguiu para a igreja, como de costume, mas ao chegar ao local percebeu que estava fechado. No dia seguinte ele procurou pelo sacristão e disse que queria fazer as orações todos os dias, porém nem sempre a igreja estaria aberta. De imediato seu Benedito disse a Franz que a partir daquele momento ficaria aberta sempre que ele precisasse. “Eu disse a ele: Então o senhor pode vir quando quiser porque a Igreja vai ficar aberta”, contou.

A partir daí seu Benedito passou a abrir a igreja todos os dias naquele mesmo horário para que Franz fizesse suas orações matinais. “Para mim ele já era um santo antes mesmo de morrer como mártir. Era santo pela sua dedicação com os presos e também pelo seu trabalho como advogado, em que ele só pegava causas justas”, disse seu Benedito.

Lamentavelmente, foi na manhã de sábado, do dia 14 de fevereiro de 1981, que a notícia da morte de Franz, que morreu baleado após se oferecer como refém durante rebelião na Cadeia de Jacareí, chegou rapidamente à igreja. “A cadeia e a igreja eram muito próximas e logo a notícia se espalhou. Na hora eu não acreditei, mas depois lamentei muito a morte dele”, disse seu Benedito.

O luto permaneceu durante todo o final de semana e a certeza de que Franz não estaria na igreja, como de costume, na segunda-feira seguinte à sua morte, só entristecia o sacristão, que buscou consolo em Deus para aceitar que aquela era a missão de Franz: sacrificar sua vida e derramar seu sangue perante uma causa.

Hoje, o senhor Benedito apoia o processo de beatificação e canonização do Servo de Deus Franz, e revela que costuma direcionar suas orações e pedir graças a ele. “Franz de Castro é um santo sim. Um santo que protegeu e ainda protege os presos, pois apesar dos nossos erros somos todos filhos de Deus”, concluiu.

Texto enviado pela Jornalista Monalisa Ventura

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